Edição do dia 05/04/2011
Vitamina D é fundamental para o período de formação da criança
Esta vitamina é importante para o crescimento e o fortalecimento da imunidade, além da resistência dos ossos e dos dentes. As principais fontes são peixes de água fria, ovos, leite e derivados
imprimir A vitamina D é responsável pelo controle de cálcio e fósforo no nosso organismo importantes para o crescimento, a resistência dos ossos e dos dentes e também para o fortalecimento da imunidade
Clique aqui para assistir a reportagem na integra
"Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho e na ação-reflexão". (Paulo Freire)
segunda-feira, 11 de abril de 2011
domingo, 10 de abril de 2011
Lousa digital
Lousa digital, carteiras eletrônicas e animações em 3D: ferramentas da escola do futuro
No quadro negro, as imagens se movimentam com o toque das mãos. Nas tradicionais carteiras, além de cadernos e lápis, as crianças podem acessar a internet. A cena que parece ser de um filme de ficção científica está mais real do que se imagina. Essas e várias outras tecnologias já estão sendo utilizadas em escolas brasileiras.Clique aqui para ler essa reportagem na íntegra
Mídias
Olá pessoal!!
A partir de hoje vou postar vários artigos sobre MÍDIAS em meu blog. É um tema que amo e que nos dias atuais é de extrema importância. Não há como negar que a convergência das mídias digitais potencializou e favoreceu a criação de novas formas de interatividade. Há uma relação direta entre aquilo que a indústria dos dispositivos digitais produz e o que a sociedade digital busca. A geração atual de crianças e adolescentes, que se utiliza, constantemente, das ferramentas e dos serviços implícitos à rede Internet, e na qual busca, fora de um modo tradicional de pesquisar e de produzir, o que interessa às suas demandas, constitui a chamada geração digital. Essa geração digital que “navega” pela Internet quer acessar repositórios de informações disponíveis em diferentes fontes, conversar trivialmente e conhecer pessoas, quer comunicar-se com amigos distantes e, principalmente, estabelecer, à distância, aprendizagem por meio de trocas colaborativas. Por isso temos que nos adaptar e conhecer tudo relacionado à convergência das mídias, pois nós educadores vivemos e compartilhamos diariamente experiências dessa geração digital. Ilimitadas possibilidades educacionais serão abertas num futuro não muito distante. A geração atual é vinculada por demais a sons, imagens e outros estímulos audiovisuais. Tais recursos promoverão a mudança de paradigmas no próprio fazer pedagógico. As relações educacionais,mediadas pelas novas tecnologias, tornam-se mais dinâmicas e pluridirecionais, com professores e alunos no papel de autores de um mesmo processo educacional interativo. Cabe ao educador dar sentido educacional a equipamentos, softwares e outros recursos, sejam eles destinados à educação ou não.
Crédito Imagem:
domingo, 3 de abril de 2011
Uma pessoa muito especial!
Amigos, já sentiram saudade da alguém e quando você se toca está com os olhos cheios de lágrimas???
Pois é, queria homenagiar essa pessoa tão importante para mim.
Mirian, minha sogra, que faleceu a alguns meses.
Para algumas pessoas o mito de "sogra" chata se concretiza, mas para mim foi o contrário.
Desde que a conheci,já dei click! Foi muito especial já no começo!Ela me tratou tão carinhosamente que eu fiquei pasma. Pensei, deve ser por que estamos nos conhecendo agora. Foi duradouro! Ficamos amigas, saíamos juntas, íamos nas pizzarias, panquecarias, churrascarias, etc.. que delícia, que pessoa legal, companheira!! Esqueci de falar nas peixarias... Que legal, ficavámos até tarde em sua casa, jogando baralho, assistindo filmes... puxa vida que bom.
Quando o Willian me pediu em casamento... ela me disse "Marcia, você é tudo para o William mesmo!!Ele me disse que jamais te deixaria escapar,por que você é uma mulher perfeita!! Eu disse a ele que nem eu a deixaria, eu poderia mudar de filho, mas de nora, jamais!!"r Foi tão gratificante. Nosso convívio foi muito feliz. Quando a Livia chegou, ou seja, a notícia... meu Deus.Ela fez um jantar para comemorarmos!Quando a pequena chegou que felicidade quando na maternidade os avôs e as avós entrando no quarto todos felizes com a chegada da princesinha!! Minha médica Paulini (minha amiga de infância)me disse: Ma que família mais gostosa!!Pois é a amizade, o carinho e o amor presente quem resiste!!
Conforme a Livia foi crescendo só alegria!!
Foi quando essa noticinha indesejável apareceu!!A vó estava com cancer.Fui na hora em sua casa e lhe abracei, chorei e disse que estaria ao seu lado sempre!!
Deus sabe o proquê de todas as coisas! Ele lapida as joias para brilharem mais. Creio que foi isso que aconteceu, por que ela deixou somente coisas boas.
O tempo pode passar , mas as recordação jamais!!
Para essa pessoa tão maravilhosa, minhas homenagens hoje e sempre!!Seu perfume sempre sentiremos!!!
Saudades!!!
Pois é, queria homenagiar essa pessoa tão importante para mim.
Mirian, minha sogra, que faleceu a alguns meses.
Para algumas pessoas o mito de "sogra" chata se concretiza, mas para mim foi o contrário.
Desde que a conheci,já dei click! Foi muito especial já no começo!Ela me tratou tão carinhosamente que eu fiquei pasma. Pensei, deve ser por que estamos nos conhecendo agora. Foi duradouro! Ficamos amigas, saíamos juntas, íamos nas pizzarias, panquecarias, churrascarias, etc.. que delícia, que pessoa legal, companheira!! Esqueci de falar nas peixarias... Que legal, ficavámos até tarde em sua casa, jogando baralho, assistindo filmes... puxa vida que bom.
Quando o Willian me pediu em casamento... ela me disse "Marcia, você é tudo para o William mesmo!!Ele me disse que jamais te deixaria escapar,por que você é uma mulher perfeita!! Eu disse a ele que nem eu a deixaria, eu poderia mudar de filho, mas de nora, jamais!!"r Foi tão gratificante. Nosso convívio foi muito feliz. Quando a Livia chegou, ou seja, a notícia... meu Deus.Ela fez um jantar para comemorarmos!Quando a pequena chegou que felicidade quando na maternidade os avôs e as avós entrando no quarto todos felizes com a chegada da princesinha!! Minha médica Paulini (minha amiga de infância)me disse: Ma que família mais gostosa!!Pois é a amizade, o carinho e o amor presente quem resiste!!
Conforme a Livia foi crescendo só alegria!!
Foi quando essa noticinha indesejável apareceu!!A vó estava com cancer.Fui na hora em sua casa e lhe abracei, chorei e disse que estaria ao seu lado sempre!!
Deus sabe o proquê de todas as coisas! Ele lapida as joias para brilharem mais. Creio que foi isso que aconteceu, por que ela deixou somente coisas boas.
O tempo pode passar , mas as recordação jamais!!
Para essa pessoa tão maravilhosa, minhas homenagens hoje e sempre!!Seu perfume sempre sentiremos!!!
Saudades!!!
terça-feira, 8 de março de 2011
Quando não é adequado indicar o norte no mapa
Um olhar convencional sobre a cartografia tem o hábito de nos alertar: - é preciso não se esquecer de indicar a orientação do mapa, não se deve omitir o Norte. Porém, a representação do Norte é inútil nos mapas temáticos de pequena escala, que representam vastas extensões territoriais. Nesses o leitor é capaz de identificar os espaços representados. Além dessa questão há outra: qual o Norte a ser indicado? Sabemos que existem “vários Nortes”: norte geográfico, norte magnético...
Por convenção, o Norte é no “alto” do mapa, mas isso não é uma regra absoluta. Vamos tratar alguns exemplos.
A projeção Mercator é uma projeção cilíndrica, cuja grade de coordenadas geográficas (paralelos e meridianos) dispõe as linhas que se cruzam de forma perpendicular. Logo qualquer meridiano dirige-se ao Norte, ao pólo norte, que nessa projeção foi transformado numa linha contínua (vide mapa abaixo).
(Fonte: Atelier de Cartographie da Sciences PO)
Já na projeção Bertin (1950), que mantém uma relação de fidelidade com as superfícies dos continentes, a grade de coordenadas não possui uma configuração perpendicular, pois todos os meridianos se dirigem, formando curvas, para uma representação do pólo que se encontra no meio do mapa. Logo, para indicar o Norte seria preciso colocar tantas setas quantos fosse o número de meridianos (vide mapa abaixo), o que é desnecessário visto a clareza da posição polar.
(Fonte: Atelier de Cartographie da Sciences PO)
Outra representação (aliás, muito interessante para representar fenômenos que possuem escala mundial - em especial os fluxos e redes), que é a de Buckminster Fuller, dispensa a indicação do Norte, pois esse já é centro do mapa. Trata-se de uma projeção cuja centragem é no pólo norte (as centragens podem variar) e que favorece a manutenção das formas e das proporcionalidades das terras emersas em detrimento dos oceanos. Quando esse autor criou essa projeção ele subverteu a visão convencional de um Norte e de um Sul, o que permitiria uma apreensão de um mundo “menos” hierarquizado (vide terceiro mapa).
(Fonte: Atelier de Cartographie da Sciences PO)
Esses poucos exemplos (seriam possíveis vários) mostram que nem sempre é pertinente indicar um único Norte, numa única posição. Aliás, nem sempre é adequado indicar o Norte num mapa.
Fonte: http://jaimeoliva.blogspot.com
Por convenção, o Norte é no “alto” do mapa, mas isso não é uma regra absoluta. Vamos tratar alguns exemplos.
A projeção Mercator é uma projeção cilíndrica, cuja grade de coordenadas geográficas (paralelos e meridianos) dispõe as linhas que se cruzam de forma perpendicular. Logo qualquer meridiano dirige-se ao Norte, ao pólo norte, que nessa projeção foi transformado numa linha contínua (vide mapa abaixo).
(Fonte: Atelier de Cartographie da Sciences PO)
Já na projeção Bertin (1950), que mantém uma relação de fidelidade com as superfícies dos continentes, a grade de coordenadas não possui uma configuração perpendicular, pois todos os meridianos se dirigem, formando curvas, para uma representação do pólo que se encontra no meio do mapa. Logo, para indicar o Norte seria preciso colocar tantas setas quantos fosse o número de meridianos (vide mapa abaixo), o que é desnecessário visto a clareza da posição polar.
(Fonte: Atelier de Cartographie da Sciences PO)
Outra representação (aliás, muito interessante para representar fenômenos que possuem escala mundial - em especial os fluxos e redes), que é a de Buckminster Fuller, dispensa a indicação do Norte, pois esse já é centro do mapa. Trata-se de uma projeção cuja centragem é no pólo norte (as centragens podem variar) e que favorece a manutenção das formas e das proporcionalidades das terras emersas em detrimento dos oceanos. Quando esse autor criou essa projeção ele subverteu a visão convencional de um Norte e de um Sul, o que permitiria uma apreensão de um mundo “menos” hierarquizado (vide terceiro mapa).
(Fonte: Atelier de Cartographie da Sciences PO)
Esses poucos exemplos (seriam possíveis vários) mostram que nem sempre é pertinente indicar um único Norte, numa única posição. Aliás, nem sempre é adequado indicar o Norte num mapa.
Fonte: http://jaimeoliva.blogspot.com
Erros cartográficos
Erros cartográficos
Os mapas congestionam nossas retinas. Os meios para fazê-los atualmente estão acessíveis a muitas pessoas, e não somente aos profissionais cartógrafos. Todas as redações de jornal, revista e televisão têm meios para produzir mapas automáticos e inéditos, com rapidez. A incrível disponibilidade de dados estatísticos é um outro fator que favorece a produção constante de mapas. Assim, não há jornal, revista ou televisão que não apresente aos olhos de seus leitores e telespectadores, diariamente, mapas, mapas, mapas... tudo isso sem contar a Internet!
Diante dessa realidade vale uma afirmação provocativa: um exame detido vai constatar que a grande maioria dos mapas publicados contém erros cartográficos sérios. Ou geram visões problemáticas, ou pouco transmitem. E isso é esperado, visto que essa “inundação de mapas” tem como protagonistas um número muito grande de pessoas que entendem do programa de computador que faz o mapa, mas não conhecem a linguagem gráfica e a Cartografia. Algo que também ocorre até entre os formados nas áreas afins (Geografia, por exemplo).
Um exemplo singelo: para mostrarmos a distribuição geográfica de um fenômeno, digamos, a alfabetização, vamos usar índices de alfabetização por município no Estado de São Paulo. É razoável introduzir a informação no mapa preenchendo cada município com tonalidades de uma mesma cor (da mais escura para a mais clara). A mais escuras os maiores indíces e as menores taxas com tonalidades mais claras. Quando vemos um mapa que usa tonalidades da mesma cor, sem parar para pensar, nossa percepção indica que a tonalidade mais escura (mais pigmentação) representa a maior intensidade do fenômeno, e a tonalidade mais clara, a quase ausência. Caso isso seja invertido, ou então, escolhidos cores diferentes e arbitrárias, haverá uma confusão na nossa percepção, pois o que teremos diante dos nossos olhos será uma falsa imagem: um erro cartográfico. Observe o mapa abaixo:
O mapa representa um único fenômeno: o indíce de população infantil no montante da população de cada país. Várias cores foram empregadas. Em termos visuais várias cores, vários fenômenos. Porém, trata-se de um único fenômeno cuja representação, segundo os melhores príncipios da liguagem gráfica, deve-se dar o interior de única cor, por meio de tonalidades. Desse modo o mapa formaria imagem e não algo caótico como o mapa acima, só decifrável com o emprego da legenda. A liguagem gráfica, nesse caso do mapa, não basta por si só. Trata-se de um erro cartográfico comum, mas que deve ser banido.
Fonte: http://jaimeoliva.blogspot.com
Os mapas congestionam nossas retinas. Os meios para fazê-los atualmente estão acessíveis a muitas pessoas, e não somente aos profissionais cartógrafos. Todas as redações de jornal, revista e televisão têm meios para produzir mapas automáticos e inéditos, com rapidez. A incrível disponibilidade de dados estatísticos é um outro fator que favorece a produção constante de mapas. Assim, não há jornal, revista ou televisão que não apresente aos olhos de seus leitores e telespectadores, diariamente, mapas, mapas, mapas... tudo isso sem contar a Internet!
Diante dessa realidade vale uma afirmação provocativa: um exame detido vai constatar que a grande maioria dos mapas publicados contém erros cartográficos sérios. Ou geram visões problemáticas, ou pouco transmitem. E isso é esperado, visto que essa “inundação de mapas” tem como protagonistas um número muito grande de pessoas que entendem do programa de computador que faz o mapa, mas não conhecem a linguagem gráfica e a Cartografia. Algo que também ocorre até entre os formados nas áreas afins (Geografia, por exemplo).
Um exemplo singelo: para mostrarmos a distribuição geográfica de um fenômeno, digamos, a alfabetização, vamos usar índices de alfabetização por município no Estado de São Paulo. É razoável introduzir a informação no mapa preenchendo cada município com tonalidades de uma mesma cor (da mais escura para a mais clara). A mais escuras os maiores indíces e as menores taxas com tonalidades mais claras. Quando vemos um mapa que usa tonalidades da mesma cor, sem parar para pensar, nossa percepção indica que a tonalidade mais escura (mais pigmentação) representa a maior intensidade do fenômeno, e a tonalidade mais clara, a quase ausência. Caso isso seja invertido, ou então, escolhidos cores diferentes e arbitrárias, haverá uma confusão na nossa percepção, pois o que teremos diante dos nossos olhos será uma falsa imagem: um erro cartográfico. Observe o mapa abaixo:
O mapa representa um único fenômeno: o indíce de população infantil no montante da população de cada país. Várias cores foram empregadas. Em termos visuais várias cores, vários fenômenos. Porém, trata-se de um único fenômeno cuja representação, segundo os melhores príncipios da liguagem gráfica, deve-se dar o interior de única cor, por meio de tonalidades. Desse modo o mapa formaria imagem e não algo caótico como o mapa acima, só decifrável com o emprego da legenda. A liguagem gráfica, nesse caso do mapa, não basta por si só. Trata-se de um erro cartográfico comum, mas que deve ser banido.
Fonte: http://jaimeoliva.blogspot.com
Relativizar a escala cartográfica
Cartografia didática no Brasil, presente em livros de Geografia escolar, em Atlas geográficos e em propostas oficiais de órgãos públicos, é avaliada sem o ser de fato. Os critérios consagrados - compõem uma lista de exigências - e conseguem a proeza de fugir de tudo o que é essencial. Caracterizam-se pela subutilização do mapa, pelos destaques secundários, pela imprecisão e pelo desconhecimento.
Um exemplo da irrelevância: é costume que editores, avaliadores oficiais e mesmo autores receitem: todo o mapa tem que ter o Norte indicado. Esse aspecto foi rapidamente tratado no artigo Quando não é adequado indicar o Norte no mapa (postado nesse blog no dia 26 de Outubro de 2008). Ora, por convenção praticamente todas as projeções estão orientadas para o Norte, então por que indicar o que já está dado e visível? Ou alguém tem dúvida que a Bahia está ao norte de São Paulo, ou que os EUA estão ao norte do México?
O exagero em reiterar o que está dado vai a ponto de se cometer erros graves ao se indicar o norte no rodapé de mapas de modo a contrariar a orientação dos meridianos dada pela projeção.
Neste momento, queremos tratar de outro exemplo de exigência que se repete impensadamente e que, igualmente à questão do Norte, acarreta uma série de problemas, se não se cuidar para evitar entendimentos e procedimentos indevidos e certos excessos de interpretação. Trata-se da assertiva: todo mapa sempre tem que trazer a escala cartográfica.
Em Cartografia, a escala representa uma relação de redução entre o referente (terreno) e o referido (mapa). Algo expresso com essa simplicidade é do mesmo modo expresso com clareza em termos numéricos. Por exemplo: 1:100.000, quer dizer: 1 cm no mapa representa 100.000 cm no terreno, ou 1 km. Discussão encerrada? Engano, pois isso é um ponto de partida para várias relativizações.
Segundo Jacques Lévy, a Cartografia matemática durante muito tempo não quis expor à luz do dia o caráter arbitrário das escolhas em matéria de escala, resultado de opções tomadas entre uma série de possibilidades e necessidades internas da matemática e da geometria e não de uma verdade geográfica (espacial) que estaria sendo “revelada” pelo mapa (2003, p. 284).
É na realização de mapas-múndi e na reflexão sobre as projeções que a acompanha que podemos verificar a falsa obviedade que envolve a escala cartográfica. A projeção de uma superfície curva sobre um plano (o mapa) obriga a escolhas: não se podem respeitar ao mesmo tempo os ângulos, os comprimentos e as superfícies. A projeção de Mercator (que respeita os ângulos) durante muito tempo dominou a produção dos mapas-múndi e nela, notem bem, a escala é variável. É maior nas altas latitudes e mais baixa nas baixas latitudes, fabricando assim uma Groenlândia maior que a Austrália (ou que a América do Sul). E sobre o terreno real a Austrália possui uma extensão quase quatro vezes maior que a Groenlândia.
Isso retira da escala sua universalidade no mapa. Vamos ver um exemplo interessante do que acontece com a escala cartográfica num mapa-múndi. O exemplo foi tirado do excelente site www.progonos.com/furuti produzido pelo analista de sistemas Carlos A. Furuti que tem na análise de projeções cartográficas (e na produção de softwares) uma de suas especialidades. Observem o mapa-múndi que segue:
Fonte: http://www.progonos.com/furuti/MapProj/Dither/CartProp/DistPres/distPres.html
Nessa projeção (cilíndrica equidistante-equatorial), todas as linhas verdes têm o mesmo comprimento, porém no terreno as distâncias em km, efetivamente as medidas ao longo das linhas vermelhas (geodésicas, que representam a curvatura da localidade), variam enormemente. Quatro escalas gráficas são oferecidas nesse mapa para verificar esta questão para esta projeção. Cada escala horizontal só é útil ao longo de seu paralelo específico ou no paralelo oposto simétrico em relação ao Equador; a escala vertical é válida em qualquer lugar.
A escala cartográfica é uma questão da matemática geométrica, e como foi dito anteriormente, não tem uma relação direta e exata em relação ao terreno. Um mapa-múndi feito com a projeção cilíndrica eqüidistante–equatorial terá um fator de redução geral que pode ser representado por uma escala cartográfica numérica.
Mas, isso não significa que ela possa ser usada para estabelecer as medidas do terreno, como normalmente se pensa e se procede. As deformações que a própria projeção impõe já significam um afastamento das medidas do terreno. Se for expresso em escala gráfica como no exemplo, o que ficará evidente é que escala não corresponde à mesma relação por toda a extensão do mapa.
Muitos Atlas (seus autores) que tratam a espacialidade dos fenômenos numa escala de redução de mapa-múndi consideram que é enganoso apresentar uma escala para o mapa, mesmo que esta tenha o cuidado de fazer a ressalva que aquela escala é valida somente “no Equador”.
Um bom exemplo de Atlas que abdicaram de tal referência escalar (seja na forma numérica ou gráfica) é o Atlas de la Mondialisation (http://cartographie.sciences-po.fr/). Isso não quer dizer que o mapa não tenha escala - que não foi o seu grau de redução que definiu uma escala de representação na forma de mapa-múndi- mas, sim que ao colocar uma escala gráfica ao lado do mapa, será irresistível ao usuário do mapa querer se referenciar por toda sua extensão com base na validade de que 1 centímetro são tantos quilômetros lineares que separam dois pontos na superfície terrestre.
Mark Monmonier acha que os cartógrafos, sabiamente, evitam colocar escala nos mapa-múndi que poderiam favorecer este tipo de má utilização. Algo, que não ocorre no Brasil, como as avaliações oficiais demonstram. Assim, boa parte da cartografia estrangeira de boa qualidade seria reprovada no Brasil.
(1) Professor de Cartografia do Unifieo de Osasco e mestrando em cartografia na USP, com o professor Hervé Théry.
(2) Doutora e Professora de Cartografia do Departamento de Geografia da USP.
Fonte: http://jaimeoliva.blogspot.com
Um exemplo da irrelevância: é costume que editores, avaliadores oficiais e mesmo autores receitem: todo o mapa tem que ter o Norte indicado. Esse aspecto foi rapidamente tratado no artigo Quando não é adequado indicar o Norte no mapa (postado nesse blog no dia 26 de Outubro de 2008). Ora, por convenção praticamente todas as projeções estão orientadas para o Norte, então por que indicar o que já está dado e visível? Ou alguém tem dúvida que a Bahia está ao norte de São Paulo, ou que os EUA estão ao norte do México?
O exagero em reiterar o que está dado vai a ponto de se cometer erros graves ao se indicar o norte no rodapé de mapas de modo a contrariar a orientação dos meridianos dada pela projeção.
Neste momento, queremos tratar de outro exemplo de exigência que se repete impensadamente e que, igualmente à questão do Norte, acarreta uma série de problemas, se não se cuidar para evitar entendimentos e procedimentos indevidos e certos excessos de interpretação. Trata-se da assertiva: todo mapa sempre tem que trazer a escala cartográfica.
Em Cartografia, a escala representa uma relação de redução entre o referente (terreno) e o referido (mapa). Algo expresso com essa simplicidade é do mesmo modo expresso com clareza em termos numéricos. Por exemplo: 1:100.000, quer dizer: 1 cm no mapa representa 100.000 cm no terreno, ou 1 km. Discussão encerrada? Engano, pois isso é um ponto de partida para várias relativizações.
Segundo Jacques Lévy, a Cartografia matemática durante muito tempo não quis expor à luz do dia o caráter arbitrário das escolhas em matéria de escala, resultado de opções tomadas entre uma série de possibilidades e necessidades internas da matemática e da geometria e não de uma verdade geográfica (espacial) que estaria sendo “revelada” pelo mapa (2003, p. 284).
É na realização de mapas-múndi e na reflexão sobre as projeções que a acompanha que podemos verificar a falsa obviedade que envolve a escala cartográfica. A projeção de uma superfície curva sobre um plano (o mapa) obriga a escolhas: não se podem respeitar ao mesmo tempo os ângulos, os comprimentos e as superfícies. A projeção de Mercator (que respeita os ângulos) durante muito tempo dominou a produção dos mapas-múndi e nela, notem bem, a escala é variável. É maior nas altas latitudes e mais baixa nas baixas latitudes, fabricando assim uma Groenlândia maior que a Austrália (ou que a América do Sul). E sobre o terreno real a Austrália possui uma extensão quase quatro vezes maior que a Groenlândia.
Isso retira da escala sua universalidade no mapa. Vamos ver um exemplo interessante do que acontece com a escala cartográfica num mapa-múndi. O exemplo foi tirado do excelente site www.progonos.com/furuti produzido pelo analista de sistemas Carlos A. Furuti que tem na análise de projeções cartográficas (e na produção de softwares) uma de suas especialidades. Observem o mapa-múndi que segue:
Fonte: http://www.progonos.com/furuti/MapProj/Dither/CartProp/DistPres/distPres.html
Nessa projeção (cilíndrica equidistante-equatorial), todas as linhas verdes têm o mesmo comprimento, porém no terreno as distâncias em km, efetivamente as medidas ao longo das linhas vermelhas (geodésicas, que representam a curvatura da localidade), variam enormemente. Quatro escalas gráficas são oferecidas nesse mapa para verificar esta questão para esta projeção. Cada escala horizontal só é útil ao longo de seu paralelo específico ou no paralelo oposto simétrico em relação ao Equador; a escala vertical é válida em qualquer lugar.
A escala cartográfica é uma questão da matemática geométrica, e como foi dito anteriormente, não tem uma relação direta e exata em relação ao terreno. Um mapa-múndi feito com a projeção cilíndrica eqüidistante–equatorial terá um fator de redução geral que pode ser representado por uma escala cartográfica numérica.
Mas, isso não significa que ela possa ser usada para estabelecer as medidas do terreno, como normalmente se pensa e se procede. As deformações que a própria projeção impõe já significam um afastamento das medidas do terreno. Se for expresso em escala gráfica como no exemplo, o que ficará evidente é que escala não corresponde à mesma relação por toda a extensão do mapa.
Muitos Atlas (seus autores) que tratam a espacialidade dos fenômenos numa escala de redução de mapa-múndi consideram que é enganoso apresentar uma escala para o mapa, mesmo que esta tenha o cuidado de fazer a ressalva que aquela escala é valida somente “no Equador”.
Um bom exemplo de Atlas que abdicaram de tal referência escalar (seja na forma numérica ou gráfica) é o Atlas de la Mondialisation (http://cartographie.sciences-po.fr/). Isso não quer dizer que o mapa não tenha escala - que não foi o seu grau de redução que definiu uma escala de representação na forma de mapa-múndi- mas, sim que ao colocar uma escala gráfica ao lado do mapa, será irresistível ao usuário do mapa querer se referenciar por toda sua extensão com base na validade de que 1 centímetro são tantos quilômetros lineares que separam dois pontos na superfície terrestre.
Mark Monmonier acha que os cartógrafos, sabiamente, evitam colocar escala nos mapa-múndi que poderiam favorecer este tipo de má utilização. Algo, que não ocorre no Brasil, como as avaliações oficiais demonstram. Assim, boa parte da cartografia estrangeira de boa qualidade seria reprovada no Brasil.
(1) Professor de Cartografia do Unifieo de Osasco e mestrando em cartografia na USP, com o professor Hervé Théry.
(2) Doutora e Professora de Cartografia do Departamento de Geografia da USP.
Fonte: http://jaimeoliva.blogspot.com
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